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Calor intenso, esforço físico e carnaval podem sobrecarregar o coração, alerta cardiologista.

O Carnaval ocorre em um dos períodos mais quentes do ano e costuma reunir uma combinação que exige atenção especial à saúde do coração: calor intenso, longos períodos de atividade física, poucas horas de descanso e consumo de álcool. Em cenários de temperaturas elevadas, essa soma pode representar um risco significativo, inclusive para pessoas sem diagnóstico prévio de doença cardíaca.

De acordo com o cardiologista Dr. Firmino Haag, coordenador da Cardiologia do Hospital Albert Sabin (HAS-SP), o organismo sofre um estresse cardiovascular importante quando é submetido a esforço físico em ambientes muito quentes. “O calor provoca dilatação dos vasos sanguíneos e aumento da frequência cardíaca.

Quando a pessoa dança por horas, caminha longas distâncias ou realiza esforço intenso sob altas temperaturas, o coração precisa trabalhar mais para manter a circulação e a regulação térmica do corpo”, explica.

Segundo o especialista, essa sobrecarga pode ser agravada pela perda excessiva de líquidos e eletrólitos por meio do suor, levando à desidratação e a alterações do ritmo cardíaco. “Exercícios físicos realizados no calor intenso, sem hidratação adequada e sem pausas, podem desencadear queda de pressão, tontura, mal-estar e arritmias, especialmente em pessoas com hipertensão, cardiopatias, arritmias prévias ou baixo condicionamento físico”, alerta.

Outro fator de risco frequente durante o Carnaval é o consumo de bebidas alcoólicas associado a bebidas energéticas. Esses produtos contêm altas doses de cafeína e outros estimulantes que aumentam a frequência cardíaca e a pressão arterial. “O energético estimula o sistema cardiovascular e, quando combinado com álcool, calor e esforço físico, pode potencializar palpitações, taquicardia e descompensações cardíacas”, afirma o Dr. Haag.

O cardiologista ressalta ainda que os energéticos podem mascarar sinais de cansaço e de embriaguez, levando ao consumo excessivo de álcool e prolongando a exposição do organismo ao calor e ao esforço físico. “Essa combinação impõe um estresse adicional ao coração e aumenta o risco de eventos cardiovasculares, mesmo em pessoas jovens”, destaca.

Para reduzir os riscos durante a folia, a recomendação é manter hidratação frequente com água, evitar esforço físico intenso nos horários mais quentes do dia, fazer pausas regulares, respeitar os limites do corpo e não substituir água por bebidas alcoólicas ou energéticas. Pessoas com doenças cardiovasculares devem manter a medicação em dia e evitar bebidas estimulantes.

“Sintomas como dor no peito, falta de ar, palpitações persistentes, tontura ou desmaio são sinais de alerta e exigem interrupção imediata da atividade e busca por atendimento médico”, orienta.

“O Carnaval pode ser aproveitado com segurança, desde que haja consciência dos limites do corpo. Cuidar do coração é essencial para que a festa termine bem”, conclui o especialista.

Fonte: MCAtrês