+ Saúde

Verão e calor extremo acendem alerta para doenças ginecológicas.

O verão, marcado por altas temperaturas, maior umidade e mudanças na rotina, exige atenção especial à saúde ginecológica. O calor excessivo favorece a proliferação de fungos e bactérias, aumentando a incidência de infecções íntimas e de quadros inflamatórios, que se tornam mais frequentes nesta época do ano.

Segundo o ginecologista Dr. Marcelo Daia, coordenador da Ginecologia do Hospital Albert Sabin (HAS-SP), a candidíase vaginal e a vaginose bacteriana lideram os atendimentos durante o verão, mas outros problemas também ganham destaque. “Observamos aumento de infecções do trato urinário, vulvites e dermatites de contato provocadas pelo suor excessivo, pelo atrito da pele e pelo uso prolongado de roupas molhadas ou muito justas. O estresse térmico também pode contribuir para a reativação do herpes genital em mulheres que já convivem com o vírus”, explica.

O especialista alerta que sintomas como corrimento com odor diferente, coceira persistente, ardor, dor pélvica ou desconforto ao urinar não devem ser encarados como algo normal do calor. “Esses sinais indicam que algo está fora do equilíbrio e precisam ser avaliados por um ginecologista. O diagnóstico precoce permite tratamento adequado e evita a progressão do quadro”, ressalta.

Entre as principais medidas preventivas estão o uso de roupas íntimas de algodão, a preferência por peças leves e ventiladas e a troca imediata do biquíni ou maiô após sair da água. A higiene íntima deve ser feita apenas na região externa, com produtos suaves ou sabonete neutro, evitando duchas vaginais e o uso excessivo de sabonetes íntimos, que podem desequilibrar a flora natural.

Outros cuidados simples também fazem diferença durante o verão. Evitar permanecer longos períodos com roupas úmidas, inclusive após atividades físicas, e reduzir o uso contínuo de absorventes diários ajudam a diminuir a umidade local e o risco de irritações. “Produtos perfumados, lenços umedecidos e sprays íntimos devem ser usados com cautela, pois podem causar dermatites e inflamações”, orienta o médico.

A hidratação adequada e uma alimentação equilibrada contribuem para o bom funcionamento do organismo e ajudam a prevenir infecções urinárias, comuns nos meses mais quentes. O Dr. Marcelo Daia também reforça a importância de não recorrer à automedicação. “O uso inadequado de medicamentos pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico correto”, afirma.

Para o especialista, manter as consultas e exames ginecológicos de rotina em dia é uma das estratégias mais eficazes de prevenção ao longo de todo o ano, especialmente no verão. “Com informação, atenção aos sinais do corpo e acompanhamento médico regular, é possível reduzir significativamente os riscos e aproveitar a estação com mais conforto, saúde e segurança”, conclui.

Fonte: MCAtrês