A prática regular de atividade física traz benefícios para a saúde, mas começar um esporte ou aumentar a intensidade dos treinos sem preparação adequada pode favorecer lesões. Futebol, corrida, tênis e lutas, por exemplo, apresentam movimentos e exigências diferentes e, consequentemente, também expõem determinadas articulações e estruturas do corpo a riscos específicos.
Segundo o ortopedista e médico do esporte Dr. Daniel Sapatini, do Hospital Albert Sabin (HAS), prevenção não significa evitar movimentos ou reduzir os benefícios do exercício. O objetivo é preparar o organismo para as exigências de cada modalidade.
“Cada esporte tem características próprias e exige determinados movimentos, grupos musculares e articulações. Por isso, a prevenção deve considerar a modalidade praticada, o condicionamento da pessoa e, principalmente, a progressão adequada dos treinos”, explica Sapatini.
Futebol: joelhos e tornozelos exigem atenção
Mudanças rápidas de direção, arrancadas, desacelerações, saltos e contato com outros jogadores fazem com que joelhos e tornozelos estejam entre as regiões mais suscetíveis a lesões no futebol.
Entorses de tornozelo e lesões ligamentares do joelho estão entre os problemas que podem ocorrer durante a prática. Fortalecimento muscular, condicionamento adequado e respeito aos limites do corpo ajudam a reduzir os riscos.
“Um dos erros é acreditar que sentir dor faz parte do esporte e continuar jogando. Dor intensa, inchaço importante, dificuldade para apoiar o membro ou sensação de instabilidade são sinais que não devem ser ignorados”, orienta o ortopedista.
Corrida: o problema nem sempre acontece de uma vez
Na corrida, além das torções de tornozelo, o praticante precisa estar atento às chamadas lesões por sobrecarga, que podem aparecer gradualmente. O aumento brusco da distância, do ritmo ou da frequência dos treinos, principalmente sem condicionamento compatível, pode favorecer problemas em joelhos, tornozelos e pés.
Sapatini destaca que a prevenção deve respeitar a biomecânica e a capacidade funcional do praticante e que a constância é mais importante do que simplesmente elevar a carga do exercício.
Tênis: movimentos repetitivos vão além do cotovelo
Embora o chamado “cotovelo de tenista” seja uma das lesões mais conhecidas da modalidade, o esporte também exige bastante dos ombros e dos membros inferiores. Saques e golpes repetitivos sobrecarregam os membros superiores, enquanto deslocamentos rápidos, freadas e mudanças de direção exigem joelhos e tornozelos.
“Não devemos olhar apenas para a região onde aparece a dor. Técnica, força, mobilidade, volume de treino e recuperação precisam estar equilibrados para que o corpo consiga responder à exigência daquele esporte.”
Lutas: contato e movimentos explosivos aumentam a exigência
Modalidades de combate envolvem contato físico, quedas, torções e movimentos rápidos, o que pode provocar contusões, entorses, lesões articulares e até fraturas, dependendo do tipo de luta e do mecanismo do trauma.
Quando procurar atendimento?
Nem toda dor depois do exercício significa uma lesão grave. O problema é tentar fazer essa avaliação sozinho quando existem sinais de alerta.
Dor intensa ou persistente, inchaço importante, deformidade, dificuldade para movimentar uma articulação ou apoiar o membro e perda de força justificam avaliação médica. Uma aparente “torção simples”, por exemplo, pode esconder uma lesão ligamentar ou até uma fratura.
“A atividade física deve fazer parte da vida, e o medo de se machucar não deve afastar ninguém do esporte. O mais importante é praticar com preparação, evolução gradual e atenção aos sinais do próprio corpo. Quando ocorre uma lesão, identificar precocemente a gravidade também faz diferença para o tratamento e para um retorno seguro ao esporte.”
Fonte: MCAtrês